8.5.08
5.5.08
1.5.08
(in)útil II

Inútil... mas simplesmente belo
Dissipa-se em luz
Solene
E pouco mais que nada
Na iminente podridão
Que desafia
mas não morre exactamente
na medida em que vive
Contido no olhar
Há um cheiro de abismo
No segredo que este espaço encerra
Uma flor de solidão que brota
Enraizada num tempo suspenso
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27.4.08
(in)útil


O silêncio de pedra e ossos
é agora carne das horas
é tudo aqui
Acode o sono e o retêm
de exaustas e retorcidas memórias
Põe um grito mudo na minha sede
Que a flor de luz dissolve
Numa etérea carícia celeste
Se alonga e circunda triste e intangível
O mesmo silêncio apreensivo
Que se prolonga nas desarmonias
responde no marulhar oco de sombras
e revolve, rompendo
a ardente tonalidade incubada
Numa serenidade estéril
Onde o tempo se entretece
derramando um álgido silêncio penetrante
Entre nós corre o espaço
Que nos limita
o essencial não se guarda nas mãos
jaz inerte
dentro do olhar
Etiquetas: abandono, memórias, Patologias
14.3.08
Lento prenúncio


Pelas paredes dentro
meço o tempo
O mesmo que atravessa e sobrevoa
as paredes fissuradas
que sustentam cada dia
que eu assisto perecer
sob um sol sobranceiro
os meus olhos invadem os interstícios porosos
que já não escolhem a idade à medida
revivem debotados… ao acaso
aninham-se bordejando secretas passagens
Despojado
Persiste fascinante
Numa contínua e errática certeza
Lento renúncio
Atado ao destino
Suplico-lhe que se sustente
à suave morte em cena
diante dos olhos inclusos
Viverá ininterruptamente das memórias
… suspenso de eternidade
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6.1.08
Ruir num espasmo


Como foices invisíveis
Ordenadas pelo pêndulo do tempo
Na sucessão dos dias
O tempo que passa
Num silêncio
À espreita
Descoberto à luz cambaleante
De uma beleza ameaçadora
Ao compasso dos relógios
Deixando-se Esboroar
Evoca impiedoso
Retroceder da matéria
Impiedoso
Nada podendo contra os desígnios
deste assombro
oculto sentido
Viverá no olhar do pensamento
como que ainda vibrando do ar que se lhe atravessa
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