Os dias desbotam
Opacamente monocromácticos
Surgindo as noites neons
Enquanto se desenha um descanso omnívoro
Caminhos… que longe estão
Perto se fazem
E que num lapso cessam
Numa obstinada desordem
De rotinas calafectadas
Freneticamente infiltradas
Num quotidiano
Que consomem o
Sentido que busco
multiplicável aos dias úteis
um sanguíneo trajecto
que desagua
nas faces que se desconhecem…
e se dissipam momentaneamente
No espaço de um ruído inaúdivel
Pronomes e advérbios não advindos
Comprimem-se privados do som
Na vastidão do subúrbio
Despojo do olhar
a urbe silhueta
que pulsa
de num aglomerado amniótico
até não ser mais…
Cosmogonia
Por entre a multidão
mordo uma ausência incólume
cartooniana
de momentos empranchados
que me liga ao mundo
dos objectos inanimados…
dos perdidos e achados
num quotidiano reinventando
estarei fora do silêncio
fora do sentido?
(em construção)Etiquetas: cartoon, decoração