9.3.08

Simples viajeiro






Suave caminhada
Sem saber para onde
Por assim dizer…

Não o assusto nem mexo
pertence-lhe a pureza do olhar
Então persistente, desliza só
Surdo de pressas
Erguido nos seus domínios


Seguindo-lhe o rastro
Que atravessa o real
E sobrevoa a luz
Posso ouvir o som
Que rompe a vida antiga
Pela húmida parede saturada
que respira um cúmplice instante

Fecha-se o céu de sentinela sobre nós
Perseguidos íamos

Por trilhar espera-nos o destino
Pela linha traçada laminar e firme
Fazendo-se tarde, afasto-me

Não dispenso agasalho
Enquanto ele arrasta-se no limiar severo

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22.1.08

Horas de paz





Repousa
Nómada
De tantos dias…
Um tempo morto

Estranhos gestos humanos
Pousados sobre a areia
Onde se ouvem
trilhados
eco dos silêncios
hibernantes
E talvez lembrando
Outros lugares
Do mundo condenado
No qual lentamente
Se vai sofrendo
Débil
Enlouquecido
Com tal serenidade
demoradamente

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21.10.07

fuga do olhar



ao seu encontro
jazia cristalizado
coberto de silêncio
uma vigília
vaga e incessante
por vezes serena...pairava

aos murmúrios suaves

e à desolada distância
despontava ágil
o vítreo olhar
que subitamente se austenta

num chamamento
pedindo a carícia de uma fala

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