2.4.07

Quem me leva os meus fantasmas

"Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
Ea Ursa Maior eram ferros acessos.

Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos, em sonhos gigantes.
E a cidade vazia, da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam, em que os homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.

De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala, nem a falha no muro.
E alguém me gritava, com voz de profeta.
Que o caminho se faz, entre o alvo e a seta.

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista

Se o barco está parado,
De que serve ter a chave

Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"


Por, Pedro Abrunhosa

5 Comments:

Blogger Plum said...

Quem???????***

3:27 da tarde  
Blogger pedro said...

Os fantasmas que ninguem quer ver...

11:44 da tarde  
Blogger Rui Luís Lima said...

a poesia é a luz que ilumina a linguagem, mesmo nas estradas nocturnas do nosso descontentamento
uma boa Páscoa
paula e rui lima

4:09 da tarde  
Blogger 2pintas said...

obrigada pela tua visita! adorei o teu canto! um grande beijinho e votos de boa continuação :)
Ps: só hoje consegui entrar aqui!

5:52 da tarde  
Anonymous António Lopes said...

O uso por Pedro Abrunhosa da figura dos sem-abrigo no vídeo é apenas para tocar o coração dos menos atentos e que desconhecem a realidade dessas figuras, aviso, a maior parte das quais são sem-abrigo por vocação, intenção. Os outros derivam de condições económicas extremas, e o país tem assistência montada para as mesmas.

Como dizia Voltaire, «As coisas demasiado idiotas para serem ditas são cantadas». E este exemplo de Pedro Abrunhosa é mais um caso. Que ajudará ao incremento das vendas concerteza.

6:29 da tarde  

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